Informativo
Ano 2- Boletim 25 - Porto Alegre, 27 de agosto de 2008 - RS
CONTATO

 

A feminização da AIDS afeta jovens negras nos Estados Unidos

O fenômeno da feminização da AIDS cresce no mundo e nos Estados Unidos já é a primeira causa de morte entre as mulheres negras de 23 a 35 anos de idade, segundo os estudos das taxas de mortalidade de mulheres negras realizados em 2004. A informação foi repassada pela antropóloga norte-americana Kia Lilly Caldwell, professora assistente do Departamento de Estudos Africanos e Afro-Americanos da Universidade de Carolina do Norte. Ela esteve recentemente em Porto Alegre observando a efetividade dos programas de prevenção e tratamento do HIV AIDS e das doenças sexualmente transmissíveis junto à população feminina negra, visando futura aplicação de pesquisa sobre gênero, violência, AIDS e mulheres negras.

Segundo a antropóloga, a feminização da AIDS em seu país é muito preocupante, uma vez que a maioria dos norte-americanos e em especial a população afro-americana não têm consciência da gravidade deste fato. “As pessoas não se julgam vulneráveis à doença e por isso são negligentes no uso dos preservativos”, revela. “Além disso, acentua, por incrível que possa parecer, as pessoas acreditam ainda que a doença está relacionada aos gays”. Um outro fator complicador é a tendência conservadora das campanhas de abstinência sexual, incentivadas pelo governo de George W. Bush, sem efeito e alcance principalmente junto aos jovens.

Além disso, lembra, nos Estados Unidos existe uma falta de coordenação em prevenção, tratamento e cuidados e com isto quem mais sofre é a população negra e as pessoas com poucos recursos. Kia Caldwell lamenta que não exista em seu país um programa de saúde semelhante ao que é desenvolvido pelo Ministério da Saúde no Brasil, o Programa Nacional de DST e AIDS.
Kia Lilly Caldwell conhece o Brasil desde 1994, tem artigos publicados na Revista Estudos Feministas e Revista Gênero, seus textos abordam raça, gênero e a questão da mulher negra. É autora do livro Negras no Brasil, publicado em 2001, no qual analisa aspectos da cidadania e políticas de identidade no movimento de mulheres negras no País.

As Mulheres Negras e HIV/AIDS nos Estados Unidos

Censo 2000
Negros/as constituiram 13% da população dos Estados Unidos

Taxas de Incidencia de HIV/AIDS para as Mulheres Negras

2001
Mulheres negras – 63% casos entre as mulheres nos EUA

2005
Mulheres negras – 64% casos entre as mulheres nos EUA
A taxa de diagnose para mulheres negras foi 23x maior que a taxa para mulheres brancas
– negras (45,5/100,000 mulheres)
– brancas (2,0/100,000 mulheres)

Taxas de Mortalidade das Mulheres Negras, 2004

HIV/AIDS foi a primeira causa de morte para mulheres negras de 25-35 anos de idade.

HIV/AIDS foi a terceira causa de morte para mulheres negras de 35-44 anos de idade.

HIV/AIDS foi a quarta causa de morte para mulheres negras de 45-54 anos de idade
.HIV/AIDS foi a:
– quinta causa de morte para mulheres americanas 35-44 anos
– sexta causa de morte para mulheres americanas, 25-34 anos.

Boletim NOTICIAS MARIA MULHER /Jornalista Responsável:Vera Daisy Barcellos - Reg.Prof.3.804
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