Maria Mulher:
23 anos atuando na defesa dos direitos humanos das mulheres afrodescendentes e superando obstáculos

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O 23º aniversário de Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras foi marcado pela tradicional caminhada que sinalizou para o público da região da Grande Vila Cruzeiro do Sul que toda a violência contra a mulher deve acabar e que a discriminação racial e o racismo devem ser combatidos.
As comemorações ocorreram no dia 8 de março, data de nascimento da entidade e de celebração do centenário do Dia Internacional da Mulher

 

O encerramento do ato público - 23 anos de Maria Mulher e 100 anos do Dia Internacional da Mulher: superando obstáculos - pelas ruas do bairro foi no salão de festas da Associação dos Moradores da Vila Parque Santa Anita, onde foi servido um almoço e prestada homenagem às participantes das atividades dos programas e projetos de Maria Mulher e, também, de reconhecimento ao apoio das instituições parceiras.

A Associação, que acolheu nesse dia Maria Mulher, realiza um trabalho social que agrega 500 famílias, 100 crianças na creche e 90 meninos e meninas no Serviço de Apoio Socioeducativo - Sase, um programa da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Na recepção das convidadas e “pilotando” o fogão à lenha estava João Adair da Rosa, tesoureiro da entidade e cozinheiro aposentado. Quem também prestou sua colaboração para o êxito da festa foi Domingas Pacer, da coordenação dos projetos da entidade.

A passagem dos 23 anos de Maria Mulher foi rica em depoimentos que destacaram a importância da Organização na transformação da vida pessoal de muitas das presentes. A professora e orientadora educacional da Escola Estadual de Ensino Fundamental da Vila Cruzeiro do Sul/Escola Aberta, Marlene Jacobsen Mazitelli, salientou que “as atividades da organização são inspiradoras para a luta de muitas mulheres da região. É um processo que incentiva a coragem de mudar e isso é possível de se observar”.

Pedagoga, voluntária e uma das 80 formandas negras da primeira turma do curso de especialização em Educação Popular da Pontifícia Universidade Católica - PUC, Alzira Adélia de Souza Silva fez um depoimento que emocionou a todas. A perda da mãe aos sete anos estimulou precocemente o senso de responsabilidade. Ajudou o pai nas lides da casa e na criação dos irmãos menores. Aos 14 anos já era operária de uma fábrica e decidiu retornar aos estudos. Alzira sabia que tinha uma batalha difícil pela frente, mas possível de superar e venceu.

Entre tantas outras falas, a da assistente social Loiva Dietrsch, gerente da região Micro 5 da Fundação de Assistência Social e Cidadania - Fasc (Glória, Cristal e Cruzeiro do Sul) reportou sua experiência num posto policial, no qual denúncias de violência contra a mulher eram constantes, mas salientou que muitas vítimas conseguiram romper e sair desse ciclo devido ao apoio recebido de instituições. Aproveitou para destacar a parceria da Fasc com Maria Mulher para superação das vulnerabilidades sociais da região.
Um dia depois, 9 de março, a Organização marcou sua presença na reunião do Conselho Distrital de Saúde Glória/Cruzeiro/Cristal com pauta que discutiu a Situação da política de saúde para as mulheres no Distrito. O evento teve a coordenação de Pedro Ribeiro e da psicóloga Gláucia Fontoura, integrante de Maria Mulher e vice coordenadora do Conselho Distrital de Saúde.

Vera Daisy Barcellos - Jorn.Diplomada Reg.Prof. 3.804
Assessoria de Imprensa de Maria Mulher



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